Rafael Victor Nutricionista
Prato equilibrado com frango grelhado, arroz integral, feijão, legumes e salada, ao lado de um copo de água e uma fita métrica

A caneta emagrecedora virou assunto de almoço de família. Com a primeira caneta fabricada no Brasil chegando às farmácias, muita gente que nunca tinha pensado nisso começou a perguntar: “se eu usar, ainda preciso me preocupar com o que como?”

Precisa. E talvez mais do que antes.

A caneta tira a fome. Ela não escolhe o que vai para o seu prato. E é exatamente aí que muita gente perde músculo, sente enjoo o dia inteiro e, quando para o remédio, recupera o peso.

Este texto é sobre o que comer para o tratamento dar certo. A decisão de usar ou não a caneta, a dose e o acompanhamento são do seu médico. A parte do prato é comigo.

Por que a alimentação muda tudo quando você usa a caneta

Essas canetas imitam um hormônio que o próprio corpo produz depois de comer. Ele deixa a digestão mais lenta e avisa o cérebro de que você está satisfeito. Resultado: você come bem menos.

Comer menos parece ótimo. O problema é que, quando o volume de comida despenca, ficam faltando proteína, fibra, vitaminas e água. E o corpo não perde só gordura: sem o estímulo certo, ele também perde músculo.

Em 2025, quatro sociedades científicas americanas de medicina e nutrição publicaram juntas um documento só sobre isso. A mensagem principal é simples: a caneta funciona melhor quando vem junto com alimentação de qualidade, atividade física e acompanhamento profissional.

1. Proteína em todas as refeições

Se você vai comer pouco, cada garfada precisa contar. E a primeira coisa que precisa estar no prato é proteína.

É ela que ajuda a segurar o músculo enquanto você emagrece. E músculo não é só estética: é o que mantém o seu metabolismo funcionando, a sua força para o dia a dia e o resultado depois que o tratamento acaba.

Na prática, comece a refeição pela proteína:

Se o enjoo não deixa você comer quase nada, comece por ela e deixe o resto para depois. A quantidade certa para você depende do seu peso, da sua rotina e dos seus exames. Isso é individual.

2. Água, muito mais do que você imagina

Com menos fome, vem menos sede. E muita gente que usa a caneta passa o dia sem perceber que quase não bebeu água.

A desidratação piora o cansaço, a dor de cabeça e o intestino preso, três queixas muito comuns de quem usa esse tipo de remédio.

Deixe uma garrafa à vista na mesa de trabalho. Beba aos poucos ao longo do dia, e não um copo enorme de uma vez, que piora o estufamento.

3. Fibra para o intestino não travar

Como a digestão fica mais lenta, o intestino preso aparece com frequência.

Legumes, verduras, frutas, aveia e feijão ajudam. Mas vá aumentando aos poucos: fibra demais de uma vez, com o estômago mais lento, pode trazer gases e desconforto.

4. Pratos menores e sem pressa

Com a caneta, o estômago esvazia mais devagar. Aquele prato que você comia em 5 minutos, na correria do almoço, agora pode virar enjoo a tarde inteira.

5. Cuidado com gordura e fritura em excesso

Comida muito gordurosa demora ainda mais para ser digerida. Com a caneta, isso costuma piorar o enjoo e a sensação de estufamento.

Não precisa cortar tudo. Mas, se você notou que passa mal depois de pizza, fritura ou feijoada, não é coincidência. Prefira preparações mais leves nos dias em que o enjoo está mais forte.

6. Álcool e doce: menos espaço, mais impacto

Quando você come pouco, cada caloria vazia ocupa o lugar de algo que o seu corpo precisava. Uma taça de vinho ou um doce não estragam o tratamento. Mas, se viram rotina, eles tomam o espaço da proteína e da fibra.

E vale lembrar: com o estômago mais lento, o álcool pode cair pior do que você está acostumado.

7. Treino de força não é opcional

Eu sei que a sua rotina é corrida. Mas, se tem uma coisa que faz diferença no uso da caneta, é o treino de força: musculação, exercícios com peso ou com o próprio corpo.

Proteína sem estímulo não segura músculo. Duas ou três sessões por semana já mudam o jogo. E é isso que ajuda a manter o resultado depois.

E quando parar a caneta?

Essa é a pergunta que pouca gente faz no começo, e é a mais importante.

Quando o remédio sai, a fome volta. Se durante o tratamento você não aprendeu a montar o prato, a organizar a rotina e a lidar com a fome do fim do dia, a tendência é voltar aos hábitos antigos. E o peso volta junto.

Por isso eu sempre falo: a caneta pode ser uma ótima ferramenta, mas ela não ensina você a comer. O hábito é o que fica.

Dieta que não cabe na sua vida não é dieta. Com ou sem caneta.

Resumo rápido

Cada pessoa responde de um jeito à caneta. O seu plano depende da sua rotina, dos seus exames e do seu objetivo. Se você está usando ou pensando em usar, vale ter um nutricionista ao lado para o tratamento render o máximo e o resultado ficar.

Referências

Conteúdo informativo. Não substitui uma consulta individual com nutricionista.

Rafael Victor · CRN-3 66539Nutricionista clínico e esportivo em São Paulo. Ajuda pessoas a emagrecer e ganhar resultado nos treinos com uma alimentação que cabe na rotina.